Justiça do Rio afasta Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF e Fifa pode punir o futebol brasileiro
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou nesta quinta-feira (15) o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), junto com toda a diretoria da entidade. A decisão, assinada pelo desembargador Gabriel Zéfiro, nomeia o vice-presidente Fernando Sarney como interventor provisório, responsável por convocar novas eleições “o mais rápido possível”.
A medida tem como base suspeitas de fraude na homologação do acordo que levou à eleição de Ednaldo em 2022. A assinatura do então presidente de honra, coronel Antônio Carlos Nunes de Lima, teria sido usada de forma irregular, e o magistrado considerou que Nunes “não tem condições de expressar de forma consciente sua vontade”.
Fernando Sarney, que foi o autor da ação judicial, assumirá interinamente o comando da entidade até a posse da nova diretoria eleita.
Risco de sanções da Fifa
A decisão ocorre em um momento delicado: no mesmo dia em que a Fifa realiza seu congresso anual. A entidade máxima do futebol mundial proíbe qualquer interferência externa na gestão das federações filiadas, como está previsto em seus estatutos. Caso considere a intervenção judicial como “influência indevida de terceiros”, a Fifa pode aplicar sanções severas à CBF.
Essas sanções incluem a suspensão da CBF, o que impediria clubes e seleções do Brasil de participarem de competições internacionais organizadas pela Fifa. Com isso, clubes como Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras podem ser excluídos do novo Mundial de Clubes, e até mesmo a Seleção Brasileira corre o risco de ficar fora da Copa do Mundo de 2026.
Em dezembro de 2023, após um primeiro afastamento de Ednaldo, a Fifa já havia alertado para a possibilidade de punição. A situação só foi contornada após decisão do STF que reconduziu Ednaldo ao cargo. Agora, o cenário se repete, com novo risco de crise institucional entre a CBF e a Fifa.