Além do Maracanã: CCJ da Alerj inclui terreno do Nilton Santos na lista de bens que podem ir a leilão

Além do Maracanã: CCJ da Alerj inclui terreno do Nilton Santos na lista de bens que podem ir a leilão

A situação envolvendo o patrimônio esportivo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (19). A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj aprovou, por quatro votos a três, a inclusão de mais 13 imóveis do Estado na lista de possíveis vendas para amortizar a dívida com a União. Entre eles, entrou o terreno onde está construído o Estádio Nilton Santos, casa do Botafogo.

Embora o estádio tenha sido erguido pela Prefeitura do Rio para o Pan-Americano de 2007 e esteja concedido ao Botafogo até 2031, o deputado Alexandre Knoploch (PL) argumenta que o terreno é estadual. Foi ele quem propôs a inclusão do imóvel na relação analisada pela CCJ, movimento que ampliou a discussão antes concentrada no Complexo do Maracanã.

A estratégia do governo estadual é leiloar ativos públicos para reduzir parte do passivo financeiro. A lista agora chega a 75 bens, entre eles a Central do Brasil, também aprovada no parecer desta semana. No entanto, nada é definitivo: o texto ainda precisa ser votado pelo plenário da Alerj, que reúne 70 parlamentares. Não há data prevista para essa votação.

A proposta original enviada pelo Executivo, em agosto, incluía 48 imóveis e previa arrecadação de cerca de R$ 1 bilhão. Após inspeções feitas por um grupo de trabalho da CCJ, alguns locais foram retirados da lista, como o Estádio Caio Martins, em Niterói, enquanto outros foram incluídos, como o Maracanã, no mês passado, e agora o Nilton Santos. Durante a tramitação, 92 emendas foram apresentadas, o que exige nova análise na sessão desta quarta-feira.

O tema provoca grande repercussão, pois envolve espaços de forte ligação ao esporte carioca. O Nilton Santos, em especial, desempenha papel central na rotina do Botafogo. A possível venda do terreno suscita dúvidas sobre o futuro da concessão vigente, embora qualquer mudança dependa de aprovação legislativa e de eventuais negociações entre o Estado, o Município e o clube.

Por enquanto, o processo segue em fase política, ainda distante de um leilão efetivo. Mas a movimentação acende alerta no ambiente esportivo e amplia o debate sobre a forma como o Estado pretende reorganizar seu patrimônio para equilibrar as contas públicas.

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